A criança Doente

O objetivo deste texto é dar uma ideia geral dos sintomas apresentados pelas crianças e as principais doenças, quando se preocupar, quando levar ao médico e outras dicas.

Para iniciarmos vamos relembrar alguns conceitos da escola:

 

-​Infecção: invasão de parte do corpo causada por algum agente infeccioso, que pode ser um vírus, bactéria, fungo, parasita...

-​Vírus​: São agentes infecciosos muito pequenos e simples, formados por uma cápsula cujo interior apresenta material genético ( DNA ou RNA). Eles apenas conseguem se replicar no interior de células. Existe uma infinidade de tipos de vírus que podem se disseminar por inúmeras maneiras e causar uma variedade de doenças. Alguns exemplos: Gripe, transmissão por contato, espirros, tosse; Rotavirus, causa diarreia, transmitido por contato, água ou comida; HIV, causa AIDS, transmissão sexual; Dengue, transmitido pela picada de inseto.

As doenças típicas da infância também são virais como sarampo, caxumba, catapora, roséola, entre muitas outras.

Fique claro que ​ANTIBIÓTICOS ​NÃO MATAM VIRUS, apenas em situações especiais são utilizados antivirais, como p.ex: HIV.

 

-​Bactérias​: São microorganismos vivos complexos unicelulares capazes de se replicar sozinhas em grande velocidade. Estão presentes em todos os ambientes possíveis.

Podem causar doenças nos seres vivos (infecção) ou participarem da sua vida (colonização). Um grande exemplo disso é a microbiota intestinal (flora intestinal) do ser humano. Possuímos dez vezes mais bactérias em nosso intestino do que o total de células do nosso corpo. Elas são fundamentais em processos finais de digestão, regulam o sistema imunológico, participam de vários processos fisiológicos, entre outros. Este é um importante motivo para se evitar o uso de antibióticos rotineiramente,

por alterarem a microbiota, ainda mais em crianças. Temos também flora bacteriana em nossa pele, boca, vagina...

A doença se dá quando há uma proliferação excessiva da flora normal ou migração para algum lugar diferente do habitual; ou bactérias estranhas conseguem penetrar nossas defesas. Alguns exemplos de infecções bacterianas são: pneumonia, sinusite, otite, celulite (infecção de pele).

Os antibióticos sim são utilizados para matar bactérias.

-Fungos: São organismos multicelulares que nos seres humanos causam micoses e outras infecções. Um exemplo em crianças é a monilíase ("sapinho"), que pode acometer a língua e a região de fraldas, dando placas esbranquiçadas. São tratadas com antifúngicos.

-Parasitas: ​aqui temos os “vermes”, piolho, sarna...Cada um possui um medicamento específico para seu tratamento.

Como dito, são inúmeros os vírus e suas manifestações, sendo a enorme maioria quadros sem gravidade e autolimitados (pois irão melhorar sem necessitar de nenhum tratamento específico).

As famosas ​Viroses se iniciam com o que chamamos de ​pródromo​, sendo ele os primeiros sintomas:

 

Pródromo: Febre; adinamia (“moleza”); falta de apetite; irritabilidade, dor de cabeça, dor no corpo, vômitos, mal estar.

Após algum tempo (dias ou horas) podem aparecer os outros sintomas, podendo vir apenas um deles ou todos juntos; ou até nenhum. Podem também ir aparecendo alguns enquanto outros melhoram ao longo dos dias;

Respiratórios: tosse, coriza – catarro no nariz - (que se inicia clara e pode ficar amarela ou verde ao longo dos dias), dor ou irritação no ouvido e garganta, chiado no peito (Sibilos);

 Intestinais: dor abdominal, vômitos, diarreia, gases;

●  Mau hálito: causado pela secreção nasal e também pela respiração

bucal devido congestão nasal;

 Boca: estomatite, uma inflamação da gengiva, língua e lábios, levando a dor na boca e dificuldade na alimentação;

 Pele: manchas avermelhadas (exantema);

●  Olhos: conjuntivite, com irritação, vermelhidão e secreção

(“remela”);

Linfonodos aumentados: as chamadas popularmente “ínguas”, são mais visíveis em crianças na região do pescoço, podendo algumas vezes serem a única manifestação. Regridem espontaneamente após alguns dias.

-> Em geral, a doença só piora nos primeiros 3 a 5 dias, e irá melhorar espontaneamente após o ciclo do vírus terminar e o próprio corpo combater a infecção e se recuperar das inflamações, o que pode levar entre ​7 a 14 dias em média.

O tratamento é apenas de alivio dos sintomas, paciência e carinho; o que muitas vezes deixa os pais frustrados e angustiados.

Em geral você pode tratar: ( a seguir são recomendações gerais, procure o médico de confiança se seu filho estiver doente e houver alguma dúvida em relação ao quadro).

 Tosse e coriza: inalação e lavagem nasal com soro fisiológico. Para saber mais sobre tosse clique aqui.

●  Dores e Febre: analgésicos/antitérmicos comuns podem sempre ser administrados à criança se não houver contra indicações ou alergia. Não precisa deixar os coitados sofrendo com medo de dar remédio. Dipirona (novalgina®), Paracetamol (tylenol®) e Ibuprofeno (alivium®) são os mais seguros na pediatria. Não use AAS (aspirina).

Para saber mais sobre febre clique aqui.

●  Diarreia: Não se deve dar nada para “cortar”. Oferecer bastante liquido, manter alimentação habitual da criança, sem restrições de alimentos saudáveis. Não oferecer bebidas esportivas (Gatorade®). Alguns casos prolongados podem necessitar de tratamento específico, caso o quadro esteja muito intenso ou prolongado procure seu médico.

●  Vômitos: pode-se usar anti-hemético ondansetrona..

●  Conjuntivite : higiene ocular e compressas geladas com água

mineral.

-> Obs: a dose das medicações devem seguir as recomendações da bula.

-> É esperado que crianças doentes reduzam o apetite, muitas vezes drasticamente. Aquelas que apresentam quadros infecciosos repetidamente podem apresentar comprometimento no desenvolvimento por deficiências nutricionais, e estas irão levar a uma baixa imunidade, predispondo a mais doenças. Caso a criança esteja consumindo a alimentação da família, pode ser necessário modificar a consistência (alimentos mais pastosos) para facilitar a aceitação, oferecer em menores quantidades e mais vezes ao dia. Importante focar na ingesta de líquidos, evitando a desidratação, que por si só irá piorar todos os sintomas.

-> Devido a alta chance de contágio, crianças doentes devem sem afastadas das creches e escolas por um tempo. É também devido a isso que crianças frequentadoras de creche ficam muito mais doentes em relação às não frequentadoras. A média é de cerca de 10 viroses por ano, quase uma por mês, por isso parecem estar sempre doentes.

As viroses podem evoluir mal, com manifestações mais graves, como meningite, pneumonia, bronquiolite, miocardite, etc.

Pode também ocorrer de bactérias aproveitarem as inflamações, secreções, e também da baixa no sistema imunológico, e causar infecções secundárias. É por isso que crianças resfriadas/gripadas tem maior propensão a apresentar otites, pneumonias, sinusite bacteriana p.ex.

Essa evolução às vezes pode ocorrer em algumas horas. Por isso a “mania” do pediatra sempre orientar uma reavaliação caso haja piora do quadro ou manutenção da febre. 

Esses são alguns ​Sinais de Alarme que podem sugerir uma evolução ruim, necessitando de uma avaliação ou reavaliação médica:

●  Febre: se persistir por mais de 72hs , ou estiver aumentando em valor e/ou frequência; ou retorna após alguns dias afebril. **​Em menores de 3 meses qualquer febre é sinal de alarme ​(exceto nas primeiras 24hs após vacina).

●  Respiração mais rápida que o normal, cansaço (identificado quando o esforço para respirar faz aparecerem as costelas ou a criança usa o abdômen), chiado audível.

 Irritabilidade importante, dor intensa que não melhora com analgésicos (melhor se avaliados fora da febre).

 Vômitos que não melhoram com medicação anti-hemética ou quando a criança não aceita nenhum liquido ou alimento.

●  Sinais de desidratação: ficar sem urinar por mais de 6 horas, olhos fundos, choro sem lágrimas, boca e língua secas, prostração intensa.

●  Fezes com sangue.

●  Manchas no corpo devem ser sempre avaliadas por um médico.

 A qualquer momento onde haja dúvidas na gravidade do quadro.